Reparamos, porque acreditamos…

Muito podia ser dito sobre as claras e evidentes vantagens de se promover a mobilidade a[c]tiva. Poucas pessoas nos dias de hoje fazem coisas tão simples como andar a pé. Os nossos avós andavam a pé à chuva, ao frio, ao vento, de inverno e sob calores escaldantes no pico do verão. Eu estive no meio termo, jogava à bola com alguma regularidade, num parque de estacionamento, em frente a casa. Por vezes íamos um pouco mais longe para jogarmos à bola num pavimento liso, a que chamávamos apenas de “liso”, e era perfeito para jorgarmos futebol. Todavia, sendo o espaço propriedade privada, o proprietário chamava a polícia, que nos expulsava do local sempre que lá íamos, e fez do espaço em apreço o que hoje é: um parque de estacionamento.

E chegámos então ao que temos hoje. As nossas crianças já não brincam na rua em frente do prédio, pois as nossas cidades entraram em guerra civil, onde ninguém (sim, ouso mesmo afirmar 100%) cumpre por exemplo o limite legal de 50 km/h nas cidades. Os pais não deixam as crianças brincar na rua pois têm medo, e as crianças ficam em casa com os vídeojogos e com problemas de obesidade.

Restam neste paradigma trágico, as zonas mais nobres da cidade, onde se vive o bairro, onde se vivem as praças, onde se vivem os cafés, onde as pessoas convivem, os bairros com Humanidade. Todavia, entristece-me também que esses bairros sejam na maior parte dos casos, extremamente onerosos para o comum dos mortais. Falo por exemplo da nobre zona do Parque das Nações, onde por exemplo não há passeio que não esteja protegido “a ferros” contra as violações (sim, estupros viários) dos automobilistas mais ousados ao espaço destinado ao peão. E é essa qualidade inigualável que tem o Parque das Nações, que faz com que seja também extremamente valorizado a nível imobiliário. É uma zona com excelentes passeios, com uma qualidade enorme no espaço público, com jardins, com pequeno comércio, com serviços e com bons acessos de transportes públicos: é uma cidade nobre, dentro de uma outra cidade que se transformou numa selva urbana. A av. da república, por exemplo tem 14 vias de trânsito!

Dotar um bairro de passeios maiores, desincentivar fortemente o automóvel, baixar velocidades, dar mais qualidade ao espaço público é invariavelmente valorizar (financeiramente também) os imóveis e o espaço público; mas o vício a que chegámos com o delírio do automóvel cegou os cidadãos. Naturalmente, que a bicicleta não é a panaceia para todos os males do mundo, mas é parte integrante de uma solução para as nossas cidades, solução essa que se quer célere e assertiva. A cicloficina do Oriente, de forma filantropa, promove a mobilidade ciclável, ao reparar e fazer a manutenção de forma gratuita a todos os que nos aparecem. E a vontade de ajudar é tanta, que por vezes são mais mecânicos que “clientes”.

Para que se perceba também o que nos move, a MUBi desenvolveu uma apresentação extremamente interessante, que nos explica de forma sucinta e límpida, quais as grandes vantagens a nível financeiro, económico para o país, de saúde, de qualidade de espaço público e até de eficiência energética, de se optar por cidades cicláveis.

Já sabe: nas primeiras terças de cada mês, traga a sua bicicleta que terá mecânicos sorridentes à sua espera, predispostos a ajudá-lo gratuitamente.

Seja bem-vinda e seja bem-vindo à Cicloficina do Oriente

 

Deixar uma resposta